A morte de Henrique Maderite nos confronta, mais uma vez, com a única certeza que todos compartilhamos: a vida é breve. Um sopro. Um intervalo frágil entre o nascer e o partir.
Por mais que sejamos bons homens, mulheres dedicadas, arrimos de família, chão seguro para os filhos, porto para esposas e companheiras, nenhum de nós está fora dessa equação. Nosso dia vai chegar. Não como castigo, não como injustiça — mas como destino comum.
Henrique é o retrato clássico de quem amava viver. De quem cuidava, celebrava, brindava a vida nos pequenos gestos. Alguém que entendia que existir não é apenas passar pelos dias, mas habitá-los com presença, afeto e verdade. E ainda assim, sua hora chegou. Como chegará a de todos nós.
Talvez seja esse o maior ensinamento que a partida deixa: o hoje é tudo o que temos. Viver sem o fardo esmagador dos erros do passado e sem a ansiedade patológica pelo que ainda não veio não é filosofia vazia — é sobrevivência emocional. É, talvez, a única forma real de viver, e não apenas sobreviver.
Que a morte de Henrique não seja apenas notícia, mas espelho. Que nos lembre de dizer o que precisa ser dito, de amar sem economia, de perdoar quando for possível e de viver com mais leveza enquanto ainda é tempo.
Porque, no fim, essa continua sendo a nossa única certeza.
A vida passa. E passa rápido.
